terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Amor inventado

Estava louca de saudades...
Ao meio da tarde, 
em pleno horário de trabalho, 
te ligo...
Você não pode falar...
A sala está cheia... 
Reunião... 
Mas, a saudade é imensa...
Não consigo esperar...
Sugiro um brincadeira: 
Eu falo, você escuta.
Te provoco 
Pergunto por onde devo começar  
Você responde: boca! 
Começamos um amor imaginário...
Louco...
Inventado...
Gostoso...
Materializei-me em tua frente 
Vestindo tão somente um vestido preto meio transparente. 
Em pensamento beijei tua boca ardentemente...
Deslizando a língua suavemente pelo teu pescoço...
Fui abrindo os botões de tua camisa um a um, sem pressa...
Senti teu coração palpitar dentro do teu peito.. .
No peito que me proporcionava a felicidade...
As mãos que percorria  teu corpo... 
Freneticamente tentavam abrir tua calça.
Você... 
Ah! Você não resiste... 
Joga-me em cima de sua mesa de trabalho... 
Esquecemos as pessoas que ali estavam... 
Naquele momento éramos só nós...
Em meio aos papéis e documentos 
Você me ama com loucura... 
Desmaterializo-me em teus braços... 
Naquele amor imaginário... 
Quantas vezes ainda vou te amar?
Quantas vezes ainda vou amar uma voz do outro lado do telefone? 
Quantas vezes ainda vou amar um amor inventado? 




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Inércia...

Da inércia...
Do silêncio...
Da ausência... a presença.
Se te procuro... não te encontro.
Se te atiço... não reages. 
Fico a lembrar-me
Dos tempos em que você venerava a minha volúpia...
No ápice retorcia-me... 
Murmurava....
Segredos  inconfessáveis...
Palavras do etéreo...
Depois...
Desvanecer...
Encostar-me  em teu peito nu...
Descansar...
Uma paz infinita.

No silêncio do meu quarto te espero...


No silêncio do meu quarto te espero...
Refletido no espelho o corpo que foi teu...
Lembro-me de tua boca desfazendo minha insegurança...
Saudade invade meu ser... 
Minha mão desliza na pele branca e macia 
Que ainda te pertence, é só você querer...
Á meia-luz...Úmida, te desejo entrar no quarto...
Delírio insano...
Flor que desabrocha em plena escuridão da noite...
Molhada de orvalho...
Minhas pétalas esperam teu dedilhar...
Suave arrepio... tímida malícia...
Verbos lançados ao vento...
Chego a fervilhar umidamente...
Em meu jardim te convido a bailar...
Com a língua ensaias os passos...
Em meio a dança palavras sem nexo...
Não falo,murmuro...
A cada pétala tirada me perco em ti...
No teu doce abraço...
Me encontro desnuda no silêncio do meu quarto a te esperar...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

PARTE I - A caminho do rio

    A aurora raiava entre as nuvens escurecidas rasgando o breu da noite reinante, anunciada pelo cantar alegre e alvoroçad dos pássaros ao vê-la chegar.O dia amanhecia,era domingo, a cidade aos poucos acordava e os moradores começavam sair de suas casas. As ruas iam ficando movimentadas. As pessoas costumavam ira à missa nas manhãs de domingo.Em casa, Clarissa se preparava para sair com as amigas, iam tomar banho de rio, curtir o ultimo dia de férias, afinal,as tão sonhadas férias passaram tão rápido que nem teve tempo de ao rio.
  Era uma manhã ensolarada, assim, como as meninas imaginaram. O sol entrava pela vidraça da porta e se espalhava pelos cantos da sala onde as Macela, Ludmila, Maria, Ana Clara e Sofia, amigas de Clarissa, estavam a sua espera.  Sofia era uma linda morena, alta, de olhos puxados, boca pequena e lábios finos, cabelos compridos, dona de um sorriso largo e escancarado. Era a amiga mais chegada de Clarissa. As amigas costumavam dizer que quando Sofia sorria  dava pra ver toda  a sua alma. Era  com ela que Clarissa compartilhava todas as suas alegrias, sua tristezas e frustrações. Amigas desde muito meninas, uma sempre sabia o que a outra estava pensando ou sentindo só no olhar.Estavam todas animadas para curtirem o último dia, saíram a pé carregadas de sacolas e mochilas carregando no peito a felicidade própria da juventude. A caminho do riacho o grupo de meninas encontra-se  com João Paulo, Orlando e  Felipe, amigos de Macela, eles também estavam indo ao rio. Felipe e João Paulo tinham acabado de chegar a cidade. Felipe  veio, há quinze dias, com a família para morar na cidade.Ele era um rapaz esbelto, alto, loiro, forte do tipo surfista, tinha olhos engatinhados, ora verde, ora castanho. Tinha um jeito peculiar de lhe dar com mulheres. Era safo, sabia as manhas, em outras palavras, era um malandro especialista em roubar corações. Clarissa tinha percebido a arte de Felipe e já tinha ouvido falar alguma coisa sobre ele e suas conquistas, mas, mesmo assim seu coração teimava em ir contra a razão, volta e meia se flagrava olhando o garboso rapaz. 
O destino. Ah, o destino! Mais uma vez joga a sua rede em silêncio sem que as pessoas percebam. O destino é assim, ele tece as linhas de sua rede uma a uma e quando as pessoas menos esperam suas vidas estão envoltas numa trama na qual não  se pode livrar sem que antes haja uma luta incansável contra o tempo, contra a si mesmo, contra tudo e todos. Devia ser proibido que o destino atrapalhar a felicidade das pessoas, principalmente quando as pessoas ainda são jovens, época em que ainda acreditam que tudo é para sempre. Não sabe a juventude que, muitas vezes, o sempre dura segundos... Isso mesmo, a eternidade se cristaliza em segundos e como todo cristal que se preze, ao menor sinal de desmazelo, ele se rompe em pedaços, pedaços que jamais serão unidos outra vez... Por isso, talvez, mesmo sem saber, é característico da juventude viver intensamente, pois, tudo  que é intenso se cristaliza no véu da eternidade... Deixemos a eternidade para um outro momento, voltemos a falar sobre a ida dos jovens ao rio...
  Caminharam por alguns minutos  por uma trilha que dava ao rio que corta a cidade. Mal podiam esperar para desfrutar de toda beleza que aquele lindo lugar oferecia. Durante  o trajeto Felipe fitava os olhos em Clarissa e admirava silenciosamente sua beleza. Instinto infalível...Algo estava diferente... Ele nunca tinha visto alguém  possuir beleza tão genuína... Felipe apenas observava... Examinava cada gesto feito por Clarissa... Entre prolongadas e estridentes gargalhadas o grupo seguia em algazarra.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um arco-íris em mim


Quando eu era criança eu tinha um sonho. Queria ter um arco-íris só meu. Para realizar esse sonho eu não media esforços. Você não imagina quanto esforço uma criança pode fazer para realizar o tão desejado sonho. Pois bem, eu vivia sonhando com ele. Eu desejava ter um bem pertinho de mim. Desejava cada cor. E eu pensava assim: "Quando eu conseguir meu arco-íris eu vou guardá-lo bem escondido, ninguém vai vê-lo. Quando todo mundo dormir eu vou colocar uma cor dentro da rede de cada um de meus irmãos". Mas, no mesmo instante eu lembrava que tinha oito irmãos e o arco-íris só tinha sete cores e lá vinha o grande problema: como fazer para dar uma cor ao irmão que iria ficar sem cor? Então eu pensei que poderia pegar um pouco de cada uma das  cores e misturá-las, meu irmão ficaria com a cor mais bonita. Criança pensa cada bobagem, né? Desse dia em diante eu sempre ficava esperando aparecer um no céu e quando aparecia um daqueles bem bonitos eu ficava só olhando e arquitetando em minha mente uma maneira de pegá-lo pra mim. Eu ficava ali por horas e horas admirando... Observando... desejando-o pra pra mim. Quando o arco-íris começava a  se desfazer meu sonho ia junto com ele. Eu chorava por que acreditava que nunca mais veria um. Chorava por que não ia conseguir fazer a misturas das cores que tanto queria... Certo dia, choveu muito durante toda manhã e bem no meio da tarde apareceu um lindo e maravilhoso arco que cruzava o céu de uma ponta a outra parecia até  que Deus estava sorrindo pra mim. Lembro-me da minha felicidade, corria entre as folhagens ainda encharcadas e me molhava toda nas poças de água que foram formadas no chão pela forte chuva que caíra poucos minutos antes.Outra vez, vinha  de uma viagem com minha mãe e avistamos um formoso arco, parecia até que tinha sido pintada a mão de tão lindo que era! Eu fiquei alucinada, ele parecia tão perto de nós!  Na minha ingênua empolgação de criança, pedia ao motorista que fosse mais rápido! Mais rápido! E ele se desmanchava em gargalhadas e acelerava... Mas por mais que ele pisasse fundo no acelerador  não conseguia chegar perto. E ele disse  pra mim tudo o que eu não queria ouvir. " - Eita galeguinha, o arco-íris é como a felicidade quanto mais a gente pensa que está chegando perto dela  mais ela se afasta de nós". Os adultos que tinham conhecimento desse sonho sempre riam de mim e achavam graça quando eu dizia que um dia eu ia ter um só meu. Hoje eu  ainda não entendo por que o meu sonho era motivo de risos, mas, aprendi que nunca devemos rir do sonho de uma criança. Quer saber?! Eu  nunca conseguir alcançar um  arco-íris, mas, aprendi a guardá-lo em mim. Aprendi que o arco-íris existe não para que o desejem, mas, para que nunca o deixem de buscá-lo. Tenho em mim um arco-íris lindo cheio de cores e amores, tem uma cor para cada pessoa e tem amor bastante que para as pessoas que vivem e as que ainda hão de viver  em mim .

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mundo Particular






 

Sozinha construí um mundo novo.
Era um mundo só meu.
Cada sonho... Eu sonhei sozinha.
Cada plano... Eu planejei sozinha.
Inventei uma verdade.
Queria abrir a porta desse mundo, no entanto, tinha medo de dividi-lo.
Mesmo que meu mundo fosse apenas uma mentira mal contada
era nele que encontrava a minha verdade.
Lá eu era feliz!
Fui seguindo e acreditando
no que eu queria acreditar que fosse real.
Nesse mundo particular existia um céu diferente
onde não importava o brilho das estrelas
o que importava realmente era existência delas.
Era naquela verdade que era só minha
que reinava o verdadeiro amor,
aquele amor que não sufoca, mas, alimenta.
Um dia te convidei entrar em meu mundo...
Naquele dia tudo ficou diferente.
Ouvir tua voz me fez muito mais feliz.
Era você,meu amor, meu destino.
Não importava se você não soubesse de minha existência.
Importava menos ainda se você não soubesse do meu esconderijo,
meu sentimento, meu mundo.
Naquele momento o mundo que era cheio de sonhos
os raios do sol eram o brilho de teus olhos.
O orvalho que caia em mim eram teus beijos.
Aquele mundo que já era bonito tornou-se perfeito!
O que era só meu transformou-se nosso...
Você entrou em meu mundo docilmente
com um jeito meigo que é só seu
foi logo dominando o meu coração,
espalhando-se em minha vida.
Tornou-se a alegria que eu ainda não tinha sentido,
a canção que eu ainda não tinha cantado.
Você é o sorriso mais largo
que eu já tive em minha boca,
é o pensamento mais persistente,
o delírio mais insano que eu já me permiti ter.
A tua alegria invadi a minha alma e contagia todo o meu ser.
A tua presença ilumina todo o meu dia.
É tão bom saber que tenho alguém com você do meu lado.
Um anjo de luz!
Sim, um anjo de luz!
Sim, é isso que vc é em minha vida: um ANJO!
Um anjo com quem eu divido todos os meus momentos.
Mesmo estando distante um do outro
é com vc que eu compartilho as minhas alegrias
e desabafo as minhas frustrações.
Só com vc eu quero sentir os prazeres da vida.
Você que me ensinou o valor do perdão
o significado do verdadeiro amor.
A ti, meu amor, devo cada evolução do meu ser.
Contigo aprendi reconhecer cada nova chance
de perceber que o amor vale apena.
Aprendi a acreditar em nós, no nosso amor.
O meu mundo particular está completo.
A minha verdade inventada já é mais só minha
Você faz parte dela desde o momento em que eu te toquei e percebi que vc é real.

Te Amo!!!!!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ausência



Você não sabe como a sua ausência me dói. Me fiz de forte, mas no fundo estou rasgada pela falta que você me faz. Nessa minha falsa fortaleza me pego olhando mais uma vez o telefone na esperança de ouvi-lo tocar. Um toque. Só o que quero é ouvir. Nada mais. Apenas ouvir um toque para ter  certeza que nesse momento você está pensando em mim, ter certeza que ainda sou importante para ti... Podia te ligar, mas, o orgulho, medo, receio,  sei lá o que me impede... Por um momento me afasto e finjo esquecer... No mesmo instante me pego pressionando o celular contra o peito... a emoção vence a razão mais uma vez... Por  um instante digito teu número... Cogito... Impulsivamente lanço o celular contra a cama... Por que você não me liga? Saio em busca de nada... Volto... Ligo... Desligo... Tento segurar o impulso que não é maior que a vontade de ouvir tua fala, no entanto, dentro de mim, eu sei que ouvir tua voz rouca e macia  fará as minhas armas caírem ao chão e indubitavelmente me entregaria aos delírios que tua voz freneticamente me oferece... Na verdade, quero me entregar, sim.... Sim, entregar-me a ti por inteira  mais uma vez... E outra vez... E mais, e mais, e mais vezes... Até extravasar em mim essa paixão.
           Ah!  Por que  esse telefone que não toca?!... Se  soubesse como te quero, como desejo ardentemente ouvir você dizer alô e então conversarmos por horas e horas, sem pressa... Falar bobagens... Rir de tuas piadas sem graça... Irritar-me com uma expressão mal entendida, fazer bico... Ficar em silêncio por alguns instantes... Silêncio... Só para ouvir você dizer meu nome várias vezes... Sei que você finge não perceber que meu silêncio é apenas charme... Charme de quem te quer por inteiro... Apenas uma maneira boba de tentar prender tua atenção... Quando você perde a paciência, irritado me pergunta se estou te ouvindo... Quebro o  silêncio murmurando baixinho: “te amo”. Você diz que tenho voz de menina... Menina, sim... Sou uma menina. Nos teus braços me torno tua menina. Depois da briga a  conversa vai aos poucos ficando gostosa, manhosa, as frases ficam cada vez mais ardentes. Um beijo... Apenas um beijo seu faz correr em mim um arrepio gosto. É, você sabe manipular  minha alma e meu corpo com maestria... Suas palavras me fazem nadar em um oceano de prazer  ... E um amor devasso se faz e desfaz dentro de mim, dentro de nós,  como em um mar revolto. Me deixo levar a crista da mais alta onda de teu corpo que se quebra em mim lentamente...
            Teu silêncio parece eterno... Percebo que já não te agrado mais, já não te excito como antes... Talvez você tenha me esquecido... Sinto saudades... Faço amor sozinha... Choro baixinho... De repente... O trim-trim do telefone...  – Alô?!... Silêncio...É você com sua voz rouca me desarmando, me fazendo sentir menina, me amando como mulher... – Preciso te ver com urgência. - Te amo!
Nosso amor começando outra vez...

Madrugada



Acordo à noite procurando teu corpo em minha cama encontro apenas o vazio entre os lençóis... Meu corpo revela o amor que escondo em mim. Sozinha me encontro e saio madrugada  a dentro pensando em nossos momentos... Pensar em teu você me incendeia... Uma vontade louca de tocar teu corpo, de ter você dentro de mim... Um desejo enlouquecido de sentir você me domina... Meu corpo te chama... Grita... Se debate entre os lençóis que cobrem os seios que saciaram teus desejos... Minha boca procura  o teu beijo, aquele beijo de língua que me suga a alma... meus lábios secos procuram se refrescar nos teus e se encontra  a beijar  o vazio... É o vazio que preenchem  os meus beijos... Essa sede que tenho de ti... A sede que tens de mim?... A tua sede mata-a na fonte que jorra de mim, sou fonte que pode a ti saciar... 
Minhas mãos percorrem meu corpo, lembrando-me das tuas, fazendo o mesmo caminho acompanhando  as curvas, as sensações, a mudança na respiração, o tremor no corpo... Enrosco-me... Na aflição da saudade mais uma vez me amo sozinha ... No encontro do prazer... Na descoberta... Em cada toque uma nova sensação... A mão desliza... Fecho os olhos e sinto um arrepio provocado pela sensação de ser sua... Grito teu nome baixinho para não atrapalhar o som do amor que fazemos à distância... Gemidos... Mordo o travesseiro... O corpo delira... Retorço-me de prazer... Um ai  ecoa pelo quarto escuro! Não, não é dor. É o prazer de amar, de te afogar em mim, de me sentir um mar... 

Não mais que de repente....






De repente  pega-lhe a cintura. Segura forte impedindo-a de fazer quaisquer movimento... Presa fácil nos braços do amado. Dois  corpos que ardem em chamas... Um chama o outro sem palavras... Palpitações... Corações ofegantes...Sem esboçar reação contrária, e mesmo se que quisesse seria inútil reagir, encontra-se totalmente dominada pelo homem que lhe deseja possuir, também, dominada pelo amor que finge não  sentir. Fecha os olhos e  se entregar sem mais demora... Possuída enfim... O corpo oscila  delírios e lucidez...  Não há mais o que negar... Se desmancha numa  prova de amor por ele...