domingo, 9 de dezembro de 2012

PARABÉNS

Faz tempo que não passo por aqui, que não escrevo mais poemas, historias, contos. Meu tempo anda tão corrido. Mas hoje eu parei um pouco para dedicar a você alguns minutos e algumas poucas linhas. Poucas linhas não por que não tenho nada para falar  mas, por me faltar palavras para descrever pessoa tão especial como você.

És uma pessoa muito importante pra mim. Uma pessoa que entrou em  minha vida para me transformar, transformar meus dias, transformar meus sonhos, transformar minha alma.

Encontrei você   onde jamais poderia imaginar que encontraria alguém. Deus nos prepara surpresas inacreditáveis. E Ele me preparou você, de um jeito meio estranho, sim. Admito. Não foi de uma forma convencional. Em sua infinita sabedoria escreveu nossa história numa mesma página, entre linhas tortas cruzou nossos caminhos.

E o que Ele deixou escrito nas entrelinhas?

Bem... o que está nas entrelinhas só nós sabemos ler.

sábado, 8 de setembro de 2012

FOGÃO DE LENHA




Lembrei-me de uma conversa que tive há alguns anos com uma amiga de infância. Eu era a menorzinha da turma e também a mais jovem em idade e isso implica em ser a menos experiente, ingenua e a mais boba também. Essa amiga, sempre muito esnobe, se achava expert em todos assuntos, principalmente, do coração. Por ser bem mais velha que eu (uns 12 anos a mais) ela sempre ficava me zoando, me chamando de 'panelinha de barro novo' e dizendo que 'panela velha é que faz comida boa'. Eu poderia até concordar com ela, mas, eu prefiro usar caldeirão ao invés de panela, se é que me entendem (rsrsr).

Pois bem, acho que ela esqueceu que 'panela velha' de tanto ser ariada ela acaba se estragando e termina sendo esquecida lá no fundo da cozinha pendurada numa trempe. Ela esqueceu que com a evolução humana as panelas também evoluíram, agora existem as panelas antiaderentes, inoxidáveis, e aos poucos as panelas 'velhas' foram substituídas pelas panelas elétricas. 

Ela esqueceu que alumínio para brilhar, só depois de muito polimento com palha de aço e que o suo constante de palha de aço pode causar mal a saúde humana. Ela esqueceu que comida boa, é a comida caseira, de preferencia aquela feita no fogão à lenha e numa bela 'panela de barro'. Contudo , para a que a comida seja boa mesmo e agradável ao paladar, a panela não precisa estar velha, mas, é preciso que alguém se dedique a olhar vez ou outra para a comida não queimar. Srsrsrs

Espero que ela tenha aprendido que tempo de uso não implica, necessariamente, em experiência e sabedoria. Mesmo sendo ainda uma 'panela de barro novo', aprendi fazer um 'baião de dois' muito bom num 'velho' fogão de lenha!

Os dois lados do homem perfeito



Susan  tinha poucos amigos, não saía e não conversar muito sobre sua vida pessoal.
 Costumava dizer que era uma pessoa diferente de seu tempo. E na verdade ela era diferente mesmo. Era recatada, isolada de tudo e de todos. Será que isso tudo era apenas timidez?
Suas poucas amigas insistiam em fazê-la mudar sua forma de ver o mundo. Quando elas estavam juntas de Susan gostavam de puxar conversas picantes só para verem a amiga vermelha de vergonha. Susan era totalmente avessa aos assuntos que envolvessem aventuras sexuais. Dizia se guarda para o homem certo, um homem inteligente, que tivesse um corpo bonito, mas, que não fosse somente músculos, que tivesse um cérebro e em pleno funcionamento,  um coração capaz de amá-la verdadeiramente.  Repudiava aquela maneira que as colegas falavam sobre os homens e a banalização do sexo.
Certo dia, as colegas resolveram definitivamente encontrar uma maneira de fazer Susan mudar de opinião sobre “se guarda para o homem certo”. Chegaram a casa de Susan e uma delas, a mais devassa de todas, falou: ‘-Susan olha o que trouxemos pra você’ e jogou em cima da mesinha vários produtos que compraram em um Sex Shop só para verem a amiga ficar vermelha como pimentão. Para a surpresa de todas Susan começa a mostrar-se interessada pelos produtos. As amigas que a esta altura estavam todas atônitas olhavam umas para as outras sem entender nada e Susan continuava a se deliciar com todas aquelas maravilhas que elas trouxeram para se divertirem à suas custas. As amigas voltaram cada uma para sua casa sem entender nada. A velha Susan já não era mais a mesma. Como ela tinha mudado?!
Outra vez,  em mais uma das conversas de mulheres uma das amigas fala: ‘-Ah, meninas. Homem é igual vassoura’. Então, Susan se antecipou e disse: ‘- Se tirar o pau não serve pra mais nada’. As amigas não acreditavam no que estavam ouvindo! O que teria acontecido com Susan?? O que teria feito mudá-la tanto??? Susan parecia guardar um segredo.  Segredo que estava prestes a ser revelado. 
Pressionada pelas amigas e também pelo trabalho que, a cada dia exigia mais dela, no sentido de estar atualizada e conectada as inovações que surgiam em sua área profissional e também pelas vantagens dessa nova ferramenta poderia lhe proporcionar, ela hesitou muito, mas, sem que as colegas soubessem, acabou comprando um micro e passou a frequentar as redes sociais. As conversas no MSN e facebook eram poucas, apenas o necessário. Na verdade ela nunca se relacionou muito bem com a informática, menos ainda com as redes sociais. Sempre achou que ficar nesses lugares virtuais era pura perca de tempo. Era iniciante no uso das redes sociais e, portanto uma presa fácil para os ‘lobos’ de plantão.
Em uma dessas visitas as redes sociais, um ‘garoto’ chamou-lhe tanto a sua atenção que ela esqueceu que estava se aguardando para o homem certo. Susan deixou de ser aquela mulher tímida, insólita e passou a sorrir mais, a curtir assuntos que toda mulher curte.
Mas, como nem tudo é perfeito, Susan vive um grande dilema diante da dualidade dos traços típicos do seu grande amor que, quando vestido é um grande homem, intelectual (tudo que Suzan admirava em um homem), mas, bastava tirar a roupa, tirar a camisa e mostrar os pelos grisalhos do caminho felicidade que parecia outra pessoa, o cérebro dele encolhia e outra parte de seu corpo é que se mostrava avantajada.
Eis o grande segredo de Susan, segredo que suas amigas nunca vão descobrir. Susan aprendeu uma lição. Nunca podemos ter tudo que sonhamos, mas, sempre sonhamos com o que não podemos ter. Mas e, se esse caso fosse com você, o que você faria? Afinal, ele deve ou não colar a roupa?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Em mim...




A lembrança do beijo
fica...
O desejo
não passa...
A distancia complica
A saudade maltrata...
Crepúsculo
o fim!

Momentos



O nosso pra sempre se desfez
na primeira rajada de vento...
 num momento...
lamento...

sábado, 2 de junho de 2012

Pratique o Desapego




Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.


Fernando Pessoa

sexta-feira, 1 de junho de 2012

LUXURIA


Dobro os joelhos
Quando você, me pega
Me amassa, me quebra
Me usa demais...
Perco as rédeas
Quando você
Demora, devora, implora
E sempre por mais...
Eu sou navalha
Cortando na carne
Eu sou a boca
Que a língua invade
Sou o desejo
Maldito e bendito
Profano e covarde...
Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça
Muito me interessa
A sua potência
Seu calibre, seu gás...
Sou o encaixe
O lacre violado
E tantas pernas
Por todos os lados
Eu sou o preço
Cobrado e bem pago
Eu sou
Um pecado capital...
Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre...
Música de 

Isabella Taviani

domingo, 8 de abril de 2012

OUTROS CARNAVAIS

Mais um carnaval chegou. A juventude toda energicamente ouriçada, vão passando pela calçada de minha casa, não veem a hora de cair na folia, seguir o trio elétrico e só parar na quarta-feira de cinzas, porque, afinal de contas, ' quarta-feira é cinza', Eh, juventude! Como eu gostaria de dizer-lhe que no meu tempo de jovem o carnaval era diferente! Mas, não era tão diferente assim, não! Nos carnavais sempre houve os excessos, eu é que não costumava fazer uso de tais excessos. Se bem que... Lembro-me de uma aventura carnavalesca a qual fui protagonista e como todo bom carnaval tem que ter uma historia de amor (amor de carnaval).
Eu morava numa pequena cidade do interior esquecida de tudo e por todos onde a maior diversão era quando tinha briga na feira livre, vire e mexe isso sempre acontecia. Era época de carnaval, os jovens ainda estavam em férias. Era nessa época que os parentes que tinham se espalhados pelo interior do Brasil voltavam para visitar-nos. No primeiro dia de carnaval, acordei muito desanimada, pois, minha cidade não oferecia e isso era um tédio. Acordei e ainda sonolenta, com os cabelos emaranhados, fui andando pela sala até a cozinha. Assustei-me ao ver que na sala estavam estendidas muitas redes (é costume no sertão nordestino 'armar' redes para que as visitas possam dormir, já que as casas são pequenas e modestas). Segui em direção a cozinha de onde vinha um grande barulho de pessoas conversando. Eram meus tios que tinham vindo de Manaus para visitar os parentes mais próximos e pernoitaram em casa de meus pais e logo cedo do dia seguiriam viagem até o aeroporto de Campina Grande. Quando meus tios me viram, me abraçaram, me beijaram e apertavam minhas bochechas como se eu ainda tivesse cinco anos de idade. Que vergonha e que raiva! Será que eles não tinha percebido que ja tinha crescido. Junto com meus tios tinha vindo o filho deles, bem mais velho que eu, ele ficou observando tudo como e sorrindo como se estivesse se divertindo com aquela situação. Eu fiquei mais envergonhada ainda e sair correndo com vergonha do acontecido e mais ainda, de estar toda descabelada na frente daquele menino horrível (que nada!). Meus tios viajaram por volta das nove da manhã e eu dei graças a Deus que eles foram elevaram aquele primo chato, feio e magricela que não parava de olhar pra mim e sorrir como bobo. O pouco tempo que ele ficou na minha casa foi só para me irritar e me tirar do sério. ele implicava com meu jeito de andar, como o meu sorriso, com meu short curto. Na hora da despedida, eu tentei me esconder no quintal para não ter que abraçá-lo, mas, mesmo assim ele foi me buscar la dentro e gritou pra todo mundo que eu estava com vergonha de me despedir de todos. Enfim, foram embora!
Voltemos ao carnaval. A noite, meu irmão, que era casado, passou lá em casa para dizer que estava viajando para passar o carnaval na capital com a família, então, eu implorei pro meu pai deixar eu ir com junto. Meu pai deixou! Depois implorei pro meu irmão deixar eu ir com ele. Depois de muita insistência e de prometer que eu não ia dar trabalho e que ia ficar na casa de uma tia meio ranzinza, meu irmão concordou em me levar junto. Fiz as malas num piscar de olhos. De madrugada chegamos a capital e meu irmão tratou logo de me jogar na casa de minha tia e me adivertiu: '-Fique alerta, que na quarta-feira logo cedo venho t pegar pra gente voltar pra casa. Não vou admitir demoras, entendeu?' E eu de pronto respondi:'Sim, senhor General'. Quando olho em volta, lá estava quem eu nunca imaginei encontrar por lá! o meu primo chato, que ja não parecia tão chato assim... As três noite de carnaval com ele parecia um sonho... Entre 'muriçocas e foliões' nos beijamos pela primeira vez, ai foi facil cair no frevo. Pela primeira vez, percebi com três noites de carnaval passam rápido! Amanhecemos a quarta-feira de cinzas á beira da praia de Cabo Branco vendo raia as primeiros raios de luz de um dia cinza... Ás sete da manhã voltei pra o sertão e ele seguiu viagem para Manaus. Nos falamos uma ou duas vezes... Perdemos contato... Mas, continuamos lembrando... Vivendo outros carnavais.

UM CONTO AS AVESSAS

Eu tinha lá uns doze anos de idade. Pasmem! Com doze anos eu ainda brincava de boneca! Eu ainda gostava de brincar de boneca nunca tinha namorado, menos ainda, beijado na boca. Eca! Mas, esqueçamos as bonecas e vamos ao que interessa de verdade. Com essa idade eu cursava o fundamental II , melhor dizendo , estudava na sala do oitavo ano, naquela época era conhecido com sétima séria. Nessa mesma sala havia um garoto muito desengonçado, magrelo, tinha a cabeça maior que seu próprio corpo, isso sem falar nos óculos que ele usa. Ele tinha uma cabeleira que só vivia emaranhada. Mas, tinha nele uma coisa que eu achava muito bonito que eram os olhos. Quando ele tirava os óculos dava pra ver direitinho o verde dos olhos dele. E não bastava que eu achasse aquele garoto horrível ele tinha que se engraçar pro meu lado. Pode uma coisa dessas? Pois é! Ele era tão sem noção, mais tão sem noção que vivia me cantando. Literalmente me cantando. Ele não podia chegar perto de mim que começava a cantar “... e agora não durmo direito pensando em você lembrando seus olhos bonitos perdidos nos meus...” Aff! Eu não suportava ouvir aquilo! Acho que foi por isso que até hoje consigo mais ouvir essa música. O moleque era não desistia. Sempre que me via ele chegava perto de mim e sempre cantando a mesma musica. Certo dia, não sei como, ele criou coragem e resolveu me pedir em namoro. Nossa! Que vergonha! Movida pela curiosidade de saber como era namorar, mas, com nojo só de pensar que namorar tinha que beijar na boca, eu olhei bem nos olhos dele e falei sem vergonha nenhuma:”- Só namoro você se você prometer que nunca vai me beijar. Promete?” Então ele torceu a cara pro lado na tentativa de disfarçar o sorriso, mas, mesmo assim eu pude perceber que ele estava louco pra soltar uma gargalhada bem na minha cara. Então ele me respondeu: “-Prometo. Mas, você vai ter que me dizer por que você não quer me beijar”. Eu pensei comigo mesma “que garoto chato! Será que ele quer me namorar só pra me beijar?! E se ele souber que eu não sei beijar? Será que ele ainda vai querer me namorar?? Santa inocência a minha! Então, foi minha vez de criar coragem e falar, dessa vez sem coragem de fitá-lo nos olhos. Baixei a cabeça, pus as mãos para trás, com um dos pés descalço comecei a rabiscar a areia tentando encontrar uma maneira de falar que eu não sabia beijar. Depois de um longo silêncio e ter que ouvi-lo cantar desafinadamente “...Princesa! A musa dos meus pensamentos. Enfrento a chuva o mau tempo pra poder um pouco te ver...” Com essa música e aquela voz horrível que ele tinha (Nossa que voz triste!Nunca ouvi alguém cantar tão mal!) Não deu outra, para acabar com aquela tortura, eu balbuciei “-É que eu não sei beijar!” Para o meu espanto ele não se mostrou surpreso com minha confissão, parou de cantar (ainda bem) e me fez uma proposta que consistia em ele me beijar e se eu não gostasse ele me deixaria em paz e nunca mais cantaria a musica ‘princesa’ pra mim. Achei ótimo só em saber que poderia nunca mais ouvir ele cantar pra mim. Então ele me disse: “-Feche os olhos e deixe que eu faço o resto”. Eu nunca imaginei que beijar fosse só isso! Que era só fechar os olhos e pronto. Então isso não podia ser tão ruim assim como eu imaginava. Então concordei com ele e fechei os olhos. Eu estava meio tremula, ainda tinha receio do beijo que pra mim era desconhecido. Então ele se aproximou de mim, encostou seus lábios frios nos meus (Que coisa gelada!), Mas, esperai ai, não era só fechar os olhos e pronto? Ora que fechar os olhos que nada! Quando menos espero ele dá um jeito de abrir minha boca e enfiar meio palmo de língua dentro de minha boca. Nossa que horror! A língua dele ficava dançando em minha boca oca. Até parecia um esgrimista tentando atacar o adversário com sua espada. Os meus dentes batiam nos deles até doer. Minha boca enchia-se de saliva e ficava cada vez mais gelada. Eca! Que nojo! Nunca mais vou beijar ninguém e nem vou deixar ninguém me beijar! Em um impulso só o empurrei pra longe de mim e sai correndo com nojo e medo de tudo aquilo. O garoto cumpriu a promessa que me fez e em poucos meses se mudou com a família para Maringá e nunca mais ouvi falar dele, mas, eu infelizmente, não consegui cumprir a promessa que fiz a mim mesma. Muitos, muitos anos depois nos reencontramos. Eu juro que não o reconheci. Ele estava diferente. Tinha ficado mais forte, deixou de usar óculos, o cabelo grisalho, bem cortado, tipo militar. A voz, definitivamente, era outra, mas grave, meio rouca. Ele tinha se formando em direito e atualmente era promotor de justiça. Bem, eu também mudei um pouco. Tive uma filha, engordei uns trinta quilos e acabei como professora primária. Ele aproximou-se de mim e perguntou: “-Você se lembra de mim?” E eu respondi: “-Não!” E ele continuou: “-Você está muito diferente. Tudo em você mudou menos os seus cabelos que continuam lindos como sempre”. Lembrei dele na hora e morrendo de vergonha tratei de sair rapidinho daquela situação embaraçosa. Despedi-me dele e segui em frente pensando como um beijo pode mudar a vida da gente. Se eu soubesse que ele irai tornar-se um deus grego daquele bem que eu teria me esforçado em aprender a beijá-lo. Deixei de beijar o sapa que era príncipe e beijei muitos príncipes que viraram sapo.

HÁ COISAS QUE NUNCA MUDAM

Há pouco menos de quinze anos atrás computador e tudo referente a informática era uma novidade que parecia estar anos luz da realidade vivida por todos os moradores daquela pequena cidade. Naquele tempo os jovens costumavam se encontrar no coreto da praça principal para por as conversas em dia, tomar sorvete e tudo mais que era peculiar aos jovens daquela década. O brinquedo mais moderno era o carinho de rolimã que garantia a diversão dos moleques pequenos. As crianças e os jovens, naquele tempo, sabiam realmente se divertir e se divertiam até quando não estavam fazendo nada. Mas, muita coisa mudou por lá. Hoje a tecnologia invadiu a cidade alterou a suposta tranqüilidade da cidade pacata do interior. Crianças e adultos, jovens e idosos, todos, sem exceção nenhuma, todos passaram ter acesso fácil a internet. Com a chegada da tão sonhada mordenização foi inevitável a mudança nos hábitos corriqueiros das pessoas mais simples daquele lugar. As pessoas mudaram sua maneira de pensar, mudaram seu vocabulário. Mudaram até o assunto das conversas costumeiras entre velhos amigos. A maneira dos jovens se divertirem, de flertarem, de namorarem. O uso das redes sociais se tornou algo comum entre a mocidade da era tecnológica. São inúmeras as historias de amor que começaram através das redes sociais. Historias que deram certo outras que não deram tão certo assim. 
Ha algum tempo atrás soube de uma história que até então só tinha ouvido falar em novelas. Uma jovem bastante conhecida na cidade pelo seu gênio forte e pela retidão de seu caráter costumava usar o bate papo para conversar com suas as amigas e colegas de trabalho, essa ferramenta facilitava muito algumas tarefas que ela precisava realizar em grupo. Era uma moça de boa aparência freqüentemente recebia pedidos de pessoas para fazer parte de seu grupo de amigos, invariavelmente ela os aceitava todos, sem se preocupar em olhar o perfil de cada. Simplesmente os aceitava e ponto. Na lista de amigos online, tinha um que curiosamente vivia vinte e quatro horas online. Ela achava aquilo estranho e ficava sempre o criticando por gastar tanto tempo em frente ao computador Tinha vontade de chamá-lo e iniciar uma conversa só para saber por que ele vivia assim. Certo dia, ao abrir o bate papo, ela percebeu que um de seus amigos tinha mudado a foto do perfil, era exatamente aquele amigo que vivia online. Ele tinha os traços marcantes, um charme indescritível. Ela, por sua vez, sentiu-se atraída por uma curiosidade enorme e não pensou duas vezes para iniciar um papo com ele. Meio receosa, ela entra em contato com ele que de pronto responde, foi obstante para que conversassem todos os dias... Ela sempre na defensiva. Ele sempre educado e lisonjeiro. Ela, sem se dar conta, aos poucos ia se rendendo ao charme e ao galanteio daquele homem. E conversavam as tardes inteiras... Longas e longas conversas... Ela aprendeu a admirá-lo... De repente algo pareceu estranho. A moça ficava tremula ao ver que o rapaz estava online. Outras vezes ficava muito irritada quando esperava e ele não aparecia. Durante as conversas seu humor oscilava e qualquer brincadeira que ele fizesse já era motivo para que ela ficasse de birra. A amizade que parecia tão afinada começou se abalar por coisas pequenas. É, não tinha jeito. Ela estava envolvida completamente na rede do amor virtual. Entre birras, brigas e alguns momentos de carinho era chegada a hora dos dois se conhecerem. E assim aconteceu se viram... Tocaram-se... Sentiram-se... Conversaram... Provaram-se um ao outro. Hora de continuar seguindo cada um o seu caminho. Estrada sinuosa. Um ficou o outro foi em frente. Mas, engana-se quem pensar que a história dos dois acabou aqui. 
Engraçado como muitas coisas mudam e como outras coisas nunca mudam. O amor verdadeiro, moderno ou não, continua como era desde o inicio dos tempos, sempre capaz de derrubar barreiras intransponíveis. Por mais que o mundo mude rapidamente e cada vez mais se torne moderno sempre haverá coisas que nunca mudam.

CORTINAS

Fechar as cortinas
não significa o fim do espetáculo, 
mas, a preparação 
para um novo ato...
Ás vezes é preciso 
sair de cena
para uma cena nova iniciar.

Força de mulher

Homens,
hoje não me venham dizer o que sabem do 'ser mulher' ( Nunca saberão)
não me venham elogiar só pq hj é o meu dia(Pura demagogia)
Eu sei quão importante sou
Também sei de minhas fraquezas 
Eu sei do  sentir e  dar valor
Eu sei que sou frágil as vezes, 
mas sei da força de minha fortaleza 
não mereço ser elogiada somente no dia de hoje 
não mereço ser elogiada
Por ser frágil 
Por ser forte 
Por ser louca
Por ser eu mesma
Mereço ser homenageada 
Todos os dias de minha existência

CORAÇÂO

E como se fosse pouco
todas as preocupações
todas as obrigações
todos os problemas que tenho
meu coração simplesmente 
resolve morrer de saudades

A FÉ DO SERTANEJO

Essa semana eu conversava com meu pai e falavamos da estiagem pela qual o sertão paraibano vem passando nos últimos meses. Ele se lembrava de como o pai dele fazia experiencias para saber se o ano ia ser bom de inverno ou se ia ser seco. Ele falou que meu avô observava o formigueiro e se dele saíssem todas as formigas, inclusive os embriões, aqueles ainda branquinhos eram sinal que o ano ia ser bom de chuva. Engraçado, eu lembro de ouvir meu avô falar sobre isso e quando vejo um formigueiro sempre me pego a observar se dele estão saindo todas as formigas carregando os embriõezinhos com elas. Meu avô também fazia a experiencia de olhar a 'barra no nascente', dizia ele que aquela 'barra'também era indícios de chuva no sertão e quase sempre ele acertava em sua ciência simples e cheia de sabedoria. Voltando a conversa que tive com meu pai, triste ele me falava sobre o sofrimento do gado, falava de como os bichos estavam sofrendo, de repente, suspira profundo e diz: agora só nos resta esperar pelo dia de São José (hoje 19 de março) se chover nesse dia ainda temos esperança de ter água pelo menos pros animais pq para plantar não dá e se ão chover minha filha, que Deus tenha penas de nós que somos pecadores.A caatinga continua cinzenta, seca. Verde mesmo só os pés mandacarus que insiste em 'fulorá' e os pés de juá. Na porta da casa dos pequenos agricultores apenas um cachorro magro e algumas crianças de bucho grande brincando nus na arreia do terreio, dez cinquenta metros de distancia já não se consegue enxergar nada além mormaço que fervilha em nossas vistas. Já é noite do dia 19 de março, dia de São José, ainda não caiu nenhum chuvisco que seja, nem uma nuvem no céu anil, um sol de rachar o chão e os pés do sertanejo. "E que Deus tenha penas de nós que somos pecadores"!

LEMBRANÇAS DE SERTANEJO


Lembro-me das vezes que eu ia para o sítio para a casa de meus tios Maria e Nequim Rodrigues, na verdade o sítio deles era um pé de serra, seco, cheio de cascalhos, não tinha ‘um pé de sombra’ pra gente ficar em baixo, mas, não sei como, ele plantava e conseguia fazer com que a plantação vingasse. Quando pequena, eu adorava correr entre o milharal que já estava grande e me cobria. Eu gostava de brincar com as ‘bonecas de milho’, achava lindo aqueles cabelões de todas as cores e quando eu ia pra casa de meu tio passava o tempo todo dentro do milharal quebrando as espigas para brincar de boneca, ele ficava muito bravo comigo, também pudera, se me deixassem eu acabava com a plantação. Eu passava horas e horas lá dentro brincando, branquinha, cabelo loiro ao sol ‘chega alumiava’ como dizia ele, mas, quando eu saia de lá de dentro, meu Deus, eu saia toda vermelha e com o corpo todo coçando com os pelos do milho e das ramas de feijão de corda que ele plantava junto na mesma cova as sementes de milho e feijão e nasciam tudo junto, o feijão trepava no pé de milho. Na verdade era uma plantação de feijão junto milharal, eu chamava aquilo de ‘mijão’, milho mais feijão igual a ‘mijão’, lógico! Era bom demais ir para a casa de meu tio ele tinha quinze filhos era gente pra não acabar mais. Meu tio se orgulhava que dentre seus quinze filhos Deus tinha chamado um pastor e um padre e que nunca nenhum deles teve problemas com droga ou outro tipo de vicio. Um dos momentos mais divertidos na casa de meus tios era a hora do ‘cumer’. Minha tia fazia um panelaço de angu, angu de ‘mió muído’, sabe?Juntava a ‘fiarada’ arredor do tacho e botava angu pra todo mundo. Uma vez ele demorou fazer o angu e um de meus primos, eles eram aquele tipo de criança do sertão, daquele tipo bem tradicional, miúdo, nu, perna fina, cabeça grande e bucho maior que a cabeça. Pois bem, ela demorou a colocar refeição pros moleques e um deles não estava mais agüentando a fome, sentado no chão batido com as pernas cruzadas, começou a bater a bunda no chão e puxar os poucos cabelos que ele tinha na cabeça, pois ele tinha a mania que arrancar os cabelos e comê-los, quando ela acabou de fazer a comida pegou o menino pelo braço magro e, tadinho,fez com que ele comesse o angu ainda quente, ela só deixou ele parar de comer quando ele já não agüentava mais e estava vomitando tudo o que tinha botado pra dentro, depois desse dia eu resolvi que do angu eu só comeria a raspa da panela e depois que todo mundo já tivesse comido. Nós crescemos juntos, mas, a vida tratou de nos afastar. Há quem acredite que o amor está fora de moda. Há quem acredite que as pessoas só se aproximam umas das outras por interesse seja ele qual for. Eu acredito na verdade do amor que nasce no coração de pessoas simples, no amor que nasce no coração de pessoas que são desprovidas da malícia do status e assoberbada maldade humana. De volta a casa e a família que tantas alegrias me deu, meus primos e eu, nos reencontramos outra vez unidos pela dor da saudade e pelos laços das boas lembranças.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O mar... areia


Num vai e volta eterno
O mar beija a areia
A areia abraça o mar
O mar invade a areia 
A areia  espera o mar
O mar que vem em ondas
Á vezes calma outras vezes,
tão violenta 
leva uma parte em si
O mar encharca a areia
desmancha num espumar
A areia espera o mar
Espera as ondas 
beijá-la
Espera...
Ás vezes, um mar revolto
Ás vezes, uma calmaria só
Mas a areia espera
Ela sabe que o mar volta
A beijar-lhe
Abraçar-lhe... 
A areia...
O mar.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Amor inventado

Estava louca de saudades...
Ao meio da tarde, 
em pleno horário de trabalho, 
te ligo...
Você não pode falar...
A sala está cheia... 
Reunião... 
Mas, a saudade é imensa...
Não consigo esperar...
Sugiro um brincadeira: 
Eu falo, você escuta.
Te provoco 
Pergunto por onde devo começar  
Você responde: boca! 
Começamos um amor imaginário...
Louco...
Inventado...
Gostoso...
Materializei-me em tua frente 
Vestindo tão somente um vestido preto meio transparente. 
Em pensamento beijei tua boca ardentemente...
Deslizando a língua suavemente pelo teu pescoço...
Fui abrindo os botões de tua camisa um a um, sem pressa...
Senti teu coração palpitar dentro do teu peito.. .
No peito que me proporcionava a felicidade...
As mãos que percorria  teu corpo... 
Freneticamente tentavam abrir tua calça.
Você... 
Ah! Você não resiste... 
Joga-me em cima de sua mesa de trabalho... 
Esquecemos as pessoas que ali estavam... 
Naquele momento éramos só nós...
Em meio aos papéis e documentos 
Você me ama com loucura... 
Desmaterializo-me em teus braços... 
Naquele amor imaginário... 
Quantas vezes ainda vou te amar?
Quantas vezes ainda vou amar uma voz do outro lado do telefone? 
Quantas vezes ainda vou amar um amor inventado? 




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Inércia...

Da inércia...
Do silêncio...
Da ausência... a presença.
Se te procuro... não te encontro.
Se te atiço... não reages. 
Fico a lembrar-me
Dos tempos em que você venerava a minha volúpia...
No ápice retorcia-me... 
Murmurava....
Segredos  inconfessáveis...
Palavras do etéreo...
Depois...
Desvanecer...
Encostar-me  em teu peito nu...
Descansar...
Uma paz infinita.

No silêncio do meu quarto te espero...


No silêncio do meu quarto te espero...
Refletido no espelho o corpo que foi teu...
Lembro-me de tua boca desfazendo minha insegurança...
Saudade invade meu ser... 
Minha mão desliza na pele branca e macia 
Que ainda te pertence, é só você querer...
Á meia-luz...Úmida, te desejo entrar no quarto...
Delírio insano...
Flor que desabrocha em plena escuridão da noite...
Molhada de orvalho...
Minhas pétalas esperam teu dedilhar...
Suave arrepio... tímida malícia...
Verbos lançados ao vento...
Chego a fervilhar umidamente...
Em meu jardim te convido a bailar...
Com a língua ensaias os passos...
Em meio a dança palavras sem nexo...
Não falo,murmuro...
A cada pétala tirada me perco em ti...
No teu doce abraço...
Me encontro desnuda no silêncio do meu quarto a te esperar...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

PARTE I - A caminho do rio

    A aurora raiava entre as nuvens escurecidas rasgando o breu da noite reinante, anunciada pelo cantar alegre e alvoroçad dos pássaros ao vê-la chegar.O dia amanhecia,era domingo, a cidade aos poucos acordava e os moradores começavam sair de suas casas. As ruas iam ficando movimentadas. As pessoas costumavam ira à missa nas manhãs de domingo.Em casa, Clarissa se preparava para sair com as amigas, iam tomar banho de rio, curtir o ultimo dia de férias, afinal,as tão sonhadas férias passaram tão rápido que nem teve tempo de ao rio.
  Era uma manhã ensolarada, assim, como as meninas imaginaram. O sol entrava pela vidraça da porta e se espalhava pelos cantos da sala onde as Macela, Ludmila, Maria, Ana Clara e Sofia, amigas de Clarissa, estavam a sua espera.  Sofia era uma linda morena, alta, de olhos puxados, boca pequena e lábios finos, cabelos compridos, dona de um sorriso largo e escancarado. Era a amiga mais chegada de Clarissa. As amigas costumavam dizer que quando Sofia sorria  dava pra ver toda  a sua alma. Era  com ela que Clarissa compartilhava todas as suas alegrias, sua tristezas e frustrações. Amigas desde muito meninas, uma sempre sabia o que a outra estava pensando ou sentindo só no olhar.Estavam todas animadas para curtirem o último dia, saíram a pé carregadas de sacolas e mochilas carregando no peito a felicidade própria da juventude. A caminho do riacho o grupo de meninas encontra-se  com João Paulo, Orlando e  Felipe, amigos de Macela, eles também estavam indo ao rio. Felipe e João Paulo tinham acabado de chegar a cidade. Felipe  veio, há quinze dias, com a família para morar na cidade.Ele era um rapaz esbelto, alto, loiro, forte do tipo surfista, tinha olhos engatinhados, ora verde, ora castanho. Tinha um jeito peculiar de lhe dar com mulheres. Era safo, sabia as manhas, em outras palavras, era um malandro especialista em roubar corações. Clarissa tinha percebido a arte de Felipe e já tinha ouvido falar alguma coisa sobre ele e suas conquistas, mas, mesmo assim seu coração teimava em ir contra a razão, volta e meia se flagrava olhando o garboso rapaz. 
O destino. Ah, o destino! Mais uma vez joga a sua rede em silêncio sem que as pessoas percebam. O destino é assim, ele tece as linhas de sua rede uma a uma e quando as pessoas menos esperam suas vidas estão envoltas numa trama na qual não  se pode livrar sem que antes haja uma luta incansável contra o tempo, contra a si mesmo, contra tudo e todos. Devia ser proibido que o destino atrapalhar a felicidade das pessoas, principalmente quando as pessoas ainda são jovens, época em que ainda acreditam que tudo é para sempre. Não sabe a juventude que, muitas vezes, o sempre dura segundos... Isso mesmo, a eternidade se cristaliza em segundos e como todo cristal que se preze, ao menor sinal de desmazelo, ele se rompe em pedaços, pedaços que jamais serão unidos outra vez... Por isso, talvez, mesmo sem saber, é característico da juventude viver intensamente, pois, tudo  que é intenso se cristaliza no véu da eternidade... Deixemos a eternidade para um outro momento, voltemos a falar sobre a ida dos jovens ao rio...
  Caminharam por alguns minutos  por uma trilha que dava ao rio que corta a cidade. Mal podiam esperar para desfrutar de toda beleza que aquele lindo lugar oferecia. Durante  o trajeto Felipe fitava os olhos em Clarissa e admirava silenciosamente sua beleza. Instinto infalível...Algo estava diferente... Ele nunca tinha visto alguém  possuir beleza tão genuína... Felipe apenas observava... Examinava cada gesto feito por Clarissa... Entre prolongadas e estridentes gargalhadas o grupo seguia em algazarra.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Um arco-íris em mim


Quando eu era criança eu tinha um sonho. Queria ter um arco-íris só meu. Para realizar esse sonho eu não media esforços. Você não imagina quanto esforço uma criança pode fazer para realizar o tão desejado sonho. Pois bem, eu vivia sonhando com ele. Eu desejava ter um bem pertinho de mim. Desejava cada cor. E eu pensava assim: "Quando eu conseguir meu arco-íris eu vou guardá-lo bem escondido, ninguém vai vê-lo. Quando todo mundo dormir eu vou colocar uma cor dentro da rede de cada um de meus irmãos". Mas, no mesmo instante eu lembrava que tinha oito irmãos e o arco-íris só tinha sete cores e lá vinha o grande problema: como fazer para dar uma cor ao irmão que iria ficar sem cor? Então eu pensei que poderia pegar um pouco de cada uma das  cores e misturá-las, meu irmão ficaria com a cor mais bonita. Criança pensa cada bobagem, né? Desse dia em diante eu sempre ficava esperando aparecer um no céu e quando aparecia um daqueles bem bonitos eu ficava só olhando e arquitetando em minha mente uma maneira de pegá-lo pra mim. Eu ficava ali por horas e horas admirando... Observando... desejando-o pra pra mim. Quando o arco-íris começava a  se desfazer meu sonho ia junto com ele. Eu chorava por que acreditava que nunca mais veria um. Chorava por que não ia conseguir fazer a misturas das cores que tanto queria... Certo dia, choveu muito durante toda manhã e bem no meio da tarde apareceu um lindo e maravilhoso arco que cruzava o céu de uma ponta a outra parecia até  que Deus estava sorrindo pra mim. Lembro-me da minha felicidade, corria entre as folhagens ainda encharcadas e me molhava toda nas poças de água que foram formadas no chão pela forte chuva que caíra poucos minutos antes.Outra vez, vinha  de uma viagem com minha mãe e avistamos um formoso arco, parecia até que tinha sido pintada a mão de tão lindo que era! Eu fiquei alucinada, ele parecia tão perto de nós!  Na minha ingênua empolgação de criança, pedia ao motorista que fosse mais rápido! Mais rápido! E ele se desmanchava em gargalhadas e acelerava... Mas por mais que ele pisasse fundo no acelerador  não conseguia chegar perto. E ele disse  pra mim tudo o que eu não queria ouvir. " - Eita galeguinha, o arco-íris é como a felicidade quanto mais a gente pensa que está chegando perto dela  mais ela se afasta de nós". Os adultos que tinham conhecimento desse sonho sempre riam de mim e achavam graça quando eu dizia que um dia eu ia ter um só meu. Hoje eu  ainda não entendo por que o meu sonho era motivo de risos, mas, aprendi que nunca devemos rir do sonho de uma criança. Quer saber?! Eu  nunca conseguir alcançar um  arco-íris, mas, aprendi a guardá-lo em mim. Aprendi que o arco-íris existe não para que o desejem, mas, para que nunca o deixem de buscá-lo. Tenho em mim um arco-íris lindo cheio de cores e amores, tem uma cor para cada pessoa e tem amor bastante que para as pessoas que vivem e as que ainda hão de viver  em mim .

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Mundo Particular






 

Sozinha construí um mundo novo.
Era um mundo só meu.
Cada sonho... Eu sonhei sozinha.
Cada plano... Eu planejei sozinha.
Inventei uma verdade.
Queria abrir a porta desse mundo, no entanto, tinha medo de dividi-lo.
Mesmo que meu mundo fosse apenas uma mentira mal contada
era nele que encontrava a minha verdade.
Lá eu era feliz!
Fui seguindo e acreditando
no que eu queria acreditar que fosse real.
Nesse mundo particular existia um céu diferente
onde não importava o brilho das estrelas
o que importava realmente era existência delas.
Era naquela verdade que era só minha
que reinava o verdadeiro amor,
aquele amor que não sufoca, mas, alimenta.
Um dia te convidei entrar em meu mundo...
Naquele dia tudo ficou diferente.
Ouvir tua voz me fez muito mais feliz.
Era você,meu amor, meu destino.
Não importava se você não soubesse de minha existência.
Importava menos ainda se você não soubesse do meu esconderijo,
meu sentimento, meu mundo.
Naquele momento o mundo que era cheio de sonhos
os raios do sol eram o brilho de teus olhos.
O orvalho que caia em mim eram teus beijos.
Aquele mundo que já era bonito tornou-se perfeito!
O que era só meu transformou-se nosso...
Você entrou em meu mundo docilmente
com um jeito meigo que é só seu
foi logo dominando o meu coração,
espalhando-se em minha vida.
Tornou-se a alegria que eu ainda não tinha sentido,
a canção que eu ainda não tinha cantado.
Você é o sorriso mais largo
que eu já tive em minha boca,
é o pensamento mais persistente,
o delírio mais insano que eu já me permiti ter.
A tua alegria invadi a minha alma e contagia todo o meu ser.
A tua presença ilumina todo o meu dia.
É tão bom saber que tenho alguém com você do meu lado.
Um anjo de luz!
Sim, um anjo de luz!
Sim, é isso que vc é em minha vida: um ANJO!
Um anjo com quem eu divido todos os meus momentos.
Mesmo estando distante um do outro
é com vc que eu compartilho as minhas alegrias
e desabafo as minhas frustrações.
Só com vc eu quero sentir os prazeres da vida.
Você que me ensinou o valor do perdão
o significado do verdadeiro amor.
A ti, meu amor, devo cada evolução do meu ser.
Contigo aprendi reconhecer cada nova chance
de perceber que o amor vale apena.
Aprendi a acreditar em nós, no nosso amor.
O meu mundo particular está completo.
A minha verdade inventada já é mais só minha
Você faz parte dela desde o momento em que eu te toquei e percebi que vc é real.

Te Amo!!!!!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ausência



Você não sabe como a sua ausência me dói. Me fiz de forte, mas no fundo estou rasgada pela falta que você me faz. Nessa minha falsa fortaleza me pego olhando mais uma vez o telefone na esperança de ouvi-lo tocar. Um toque. Só o que quero é ouvir. Nada mais. Apenas ouvir um toque para ter  certeza que nesse momento você está pensando em mim, ter certeza que ainda sou importante para ti... Podia te ligar, mas, o orgulho, medo, receio,  sei lá o que me impede... Por um momento me afasto e finjo esquecer... No mesmo instante me pego pressionando o celular contra o peito... a emoção vence a razão mais uma vez... Por  um instante digito teu número... Cogito... Impulsivamente lanço o celular contra a cama... Por que você não me liga? Saio em busca de nada... Volto... Ligo... Desligo... Tento segurar o impulso que não é maior que a vontade de ouvir tua fala, no entanto, dentro de mim, eu sei que ouvir tua voz rouca e macia  fará as minhas armas caírem ao chão e indubitavelmente me entregaria aos delírios que tua voz freneticamente me oferece... Na verdade, quero me entregar, sim.... Sim, entregar-me a ti por inteira  mais uma vez... E outra vez... E mais, e mais, e mais vezes... Até extravasar em mim essa paixão.
           Ah!  Por que  esse telefone que não toca?!... Se  soubesse como te quero, como desejo ardentemente ouvir você dizer alô e então conversarmos por horas e horas, sem pressa... Falar bobagens... Rir de tuas piadas sem graça... Irritar-me com uma expressão mal entendida, fazer bico... Ficar em silêncio por alguns instantes... Silêncio... Só para ouvir você dizer meu nome várias vezes... Sei que você finge não perceber que meu silêncio é apenas charme... Charme de quem te quer por inteiro... Apenas uma maneira boba de tentar prender tua atenção... Quando você perde a paciência, irritado me pergunta se estou te ouvindo... Quebro o  silêncio murmurando baixinho: “te amo”. Você diz que tenho voz de menina... Menina, sim... Sou uma menina. Nos teus braços me torno tua menina. Depois da briga a  conversa vai aos poucos ficando gostosa, manhosa, as frases ficam cada vez mais ardentes. Um beijo... Apenas um beijo seu faz correr em mim um arrepio gosto. É, você sabe manipular  minha alma e meu corpo com maestria... Suas palavras me fazem nadar em um oceano de prazer  ... E um amor devasso se faz e desfaz dentro de mim, dentro de nós,  como em um mar revolto. Me deixo levar a crista da mais alta onda de teu corpo que se quebra em mim lentamente...
            Teu silêncio parece eterno... Percebo que já não te agrado mais, já não te excito como antes... Talvez você tenha me esquecido... Sinto saudades... Faço amor sozinha... Choro baixinho... De repente... O trim-trim do telefone...  – Alô?!... Silêncio...É você com sua voz rouca me desarmando, me fazendo sentir menina, me amando como mulher... – Preciso te ver com urgência. - Te amo!
Nosso amor começando outra vez...

Madrugada



Acordo à noite procurando teu corpo em minha cama encontro apenas o vazio entre os lençóis... Meu corpo revela o amor que escondo em mim. Sozinha me encontro e saio madrugada  a dentro pensando em nossos momentos... Pensar em teu você me incendeia... Uma vontade louca de tocar teu corpo, de ter você dentro de mim... Um desejo enlouquecido de sentir você me domina... Meu corpo te chama... Grita... Se debate entre os lençóis que cobrem os seios que saciaram teus desejos... Minha boca procura  o teu beijo, aquele beijo de língua que me suga a alma... meus lábios secos procuram se refrescar nos teus e se encontra  a beijar  o vazio... É o vazio que preenchem  os meus beijos... Essa sede que tenho de ti... A sede que tens de mim?... A tua sede mata-a na fonte que jorra de mim, sou fonte que pode a ti saciar... 
Minhas mãos percorrem meu corpo, lembrando-me das tuas, fazendo o mesmo caminho acompanhando  as curvas, as sensações, a mudança na respiração, o tremor no corpo... Enrosco-me... Na aflição da saudade mais uma vez me amo sozinha ... No encontro do prazer... Na descoberta... Em cada toque uma nova sensação... A mão desliza... Fecho os olhos e sinto um arrepio provocado pela sensação de ser sua... Grito teu nome baixinho para não atrapalhar o som do amor que fazemos à distância... Gemidos... Mordo o travesseiro... O corpo delira... Retorço-me de prazer... Um ai  ecoa pelo quarto escuro! Não, não é dor. É o prazer de amar, de te afogar em mim, de me sentir um mar... 

Não mais que de repente....






De repente  pega-lhe a cintura. Segura forte impedindo-a de fazer quaisquer movimento... Presa fácil nos braços do amado. Dois  corpos que ardem em chamas... Um chama o outro sem palavras... Palpitações... Corações ofegantes...Sem esboçar reação contrária, e mesmo se que quisesse seria inútil reagir, encontra-se totalmente dominada pelo homem que lhe deseja possuir, também, dominada pelo amor que finge não  sentir. Fecha os olhos e  se entregar sem mais demora... Possuída enfim... O corpo oscila  delírios e lucidez...  Não há mais o que negar... Se desmancha numa  prova de amor por ele...