domingo, 8 de abril de 2012

OUTROS CARNAVAIS

Mais um carnaval chegou. A juventude toda energicamente ouriçada, vão passando pela calçada de minha casa, não veem a hora de cair na folia, seguir o trio elétrico e só parar na quarta-feira de cinzas, porque, afinal de contas, ' quarta-feira é cinza', Eh, juventude! Como eu gostaria de dizer-lhe que no meu tempo de jovem o carnaval era diferente! Mas, não era tão diferente assim, não! Nos carnavais sempre houve os excessos, eu é que não costumava fazer uso de tais excessos. Se bem que... Lembro-me de uma aventura carnavalesca a qual fui protagonista e como todo bom carnaval tem que ter uma historia de amor (amor de carnaval).
Eu morava numa pequena cidade do interior esquecida de tudo e por todos onde a maior diversão era quando tinha briga na feira livre, vire e mexe isso sempre acontecia. Era época de carnaval, os jovens ainda estavam em férias. Era nessa época que os parentes que tinham se espalhados pelo interior do Brasil voltavam para visitar-nos. No primeiro dia de carnaval, acordei muito desanimada, pois, minha cidade não oferecia e isso era um tédio. Acordei e ainda sonolenta, com os cabelos emaranhados, fui andando pela sala até a cozinha. Assustei-me ao ver que na sala estavam estendidas muitas redes (é costume no sertão nordestino 'armar' redes para que as visitas possam dormir, já que as casas são pequenas e modestas). Segui em direção a cozinha de onde vinha um grande barulho de pessoas conversando. Eram meus tios que tinham vindo de Manaus para visitar os parentes mais próximos e pernoitaram em casa de meus pais e logo cedo do dia seguiriam viagem até o aeroporto de Campina Grande. Quando meus tios me viram, me abraçaram, me beijaram e apertavam minhas bochechas como se eu ainda tivesse cinco anos de idade. Que vergonha e que raiva! Será que eles não tinha percebido que ja tinha crescido. Junto com meus tios tinha vindo o filho deles, bem mais velho que eu, ele ficou observando tudo como e sorrindo como se estivesse se divertindo com aquela situação. Eu fiquei mais envergonhada ainda e sair correndo com vergonha do acontecido e mais ainda, de estar toda descabelada na frente daquele menino horrível (que nada!). Meus tios viajaram por volta das nove da manhã e eu dei graças a Deus que eles foram elevaram aquele primo chato, feio e magricela que não parava de olhar pra mim e sorrir como bobo. O pouco tempo que ele ficou na minha casa foi só para me irritar e me tirar do sério. ele implicava com meu jeito de andar, como o meu sorriso, com meu short curto. Na hora da despedida, eu tentei me esconder no quintal para não ter que abraçá-lo, mas, mesmo assim ele foi me buscar la dentro e gritou pra todo mundo que eu estava com vergonha de me despedir de todos. Enfim, foram embora!
Voltemos ao carnaval. A noite, meu irmão, que era casado, passou lá em casa para dizer que estava viajando para passar o carnaval na capital com a família, então, eu implorei pro meu pai deixar eu ir com junto. Meu pai deixou! Depois implorei pro meu irmão deixar eu ir com ele. Depois de muita insistência e de prometer que eu não ia dar trabalho e que ia ficar na casa de uma tia meio ranzinza, meu irmão concordou em me levar junto. Fiz as malas num piscar de olhos. De madrugada chegamos a capital e meu irmão tratou logo de me jogar na casa de minha tia e me adivertiu: '-Fique alerta, que na quarta-feira logo cedo venho t pegar pra gente voltar pra casa. Não vou admitir demoras, entendeu?' E eu de pronto respondi:'Sim, senhor General'. Quando olho em volta, lá estava quem eu nunca imaginei encontrar por lá! o meu primo chato, que ja não parecia tão chato assim... As três noite de carnaval com ele parecia um sonho... Entre 'muriçocas e foliões' nos beijamos pela primeira vez, ai foi facil cair no frevo. Pela primeira vez, percebi com três noites de carnaval passam rápido! Amanhecemos a quarta-feira de cinzas á beira da praia de Cabo Branco vendo raia as primeiros raios de luz de um dia cinza... Ás sete da manhã voltei pra o sertão e ele seguiu viagem para Manaus. Nos falamos uma ou duas vezes... Perdemos contato... Mas, continuamos lembrando... Vivendo outros carnavais.

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