Há pouco menos de quinze anos atrás computador e tudo referente a informática era uma novidade que parecia estar anos luz da realidade vivida por todos os moradores daquela pequena cidade. Naquele tempo os jovens costumavam se encontrar no coreto da praça principal para por as conversas em dia, tomar sorvete e tudo mais que era peculiar aos jovens daquela década. O brinquedo mais moderno era o carinho de rolimã que garantia a diversão dos moleques pequenos. As crianças e os jovens, naquele tempo, sabiam realmente se divertir e se divertiam até quando não estavam fazendo nada. Mas, muita coisa mudou por lá. Hoje a tecnologia invadiu a cidade alterou a suposta tranqüilidade da cidade pacata do interior. Crianças e adultos, jovens e idosos, todos, sem exceção nenhuma, todos passaram ter acesso fácil a internet. Com a chegada da tão sonhada mordenização foi inevitável a mudança nos hábitos corriqueiros das pessoas mais simples daquele lugar. As pessoas mudaram sua maneira de pensar, mudaram seu vocabulário. Mudaram até o assunto das conversas costumeiras entre velhos amigos. A maneira dos jovens se divertirem, de flertarem, de namorarem. O uso das redes sociais se tornou algo comum entre a mocidade da era tecnológica. São inúmeras as historias de amor que começaram através das redes sociais. Historias que deram certo outras que não deram tão certo assim.
Ha algum tempo atrás soube de uma história que até então só tinha ouvido falar em novelas. Uma jovem bastante conhecida na cidade pelo seu gênio forte e pela retidão de seu caráter costumava usar o bate papo para conversar com suas as amigas e colegas de trabalho, essa ferramenta facilitava muito algumas tarefas que ela precisava realizar em grupo. Era uma moça de boa aparência freqüentemente recebia pedidos de pessoas para fazer parte de seu grupo de amigos, invariavelmente ela os aceitava todos, sem se preocupar em olhar o perfil de cada. Simplesmente os aceitava e ponto. Na lista de amigos online, tinha um que curiosamente vivia vinte e quatro horas online. Ela achava aquilo estranho e ficava sempre o criticando por gastar tanto tempo em frente ao computador Tinha vontade de chamá-lo e iniciar uma conversa só para saber por que ele vivia assim. Certo dia, ao abrir o bate papo, ela percebeu que um de seus amigos tinha mudado a foto do perfil, era exatamente aquele amigo que vivia online. Ele tinha os traços marcantes, um charme indescritível. Ela, por sua vez, sentiu-se atraída por uma curiosidade enorme e não pensou duas vezes para iniciar um papo com ele. Meio receosa, ela entra em contato com ele que de pronto responde, foi obstante para que conversassem todos os dias... Ela sempre na defensiva. Ele sempre educado e lisonjeiro. Ela, sem se dar conta, aos poucos ia se rendendo ao charme e ao galanteio daquele homem. E conversavam as tardes inteiras... Longas e longas conversas... Ela aprendeu a admirá-lo... De repente algo pareceu estranho. A moça ficava tremula ao ver que o rapaz estava online. Outras vezes ficava muito irritada quando esperava e ele não aparecia. Durante as conversas seu humor oscilava e qualquer brincadeira que ele fizesse já era motivo para que ela ficasse de birra. A amizade que parecia tão afinada começou se abalar por coisas pequenas. É, não tinha jeito. Ela estava envolvida completamente na rede do amor virtual. Entre birras, brigas e alguns momentos de carinho era chegada a hora dos dois se conhecerem. E assim aconteceu se viram... Tocaram-se... Sentiram-se... Conversaram... Provaram-se um ao outro. Hora de continuar seguindo cada um o seu caminho. Estrada sinuosa. Um ficou o outro foi em frente. Mas, engana-se quem pensar que a história dos dois acabou aqui.
Engraçado como muitas coisas mudam e como outras coisas nunca mudam. O amor verdadeiro, moderno ou não, continua como era desde o inicio dos tempos, sempre capaz de derrubar barreiras intransponíveis. Por mais que o mundo mude rapidamente e cada vez mais se torne moderno sempre haverá coisas que nunca mudam.

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