sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

PARTE I - A caminho do rio

    A aurora raiava entre as nuvens escurecidas rasgando o breu da noite reinante, anunciada pelo cantar alegre e alvoroçad dos pássaros ao vê-la chegar.O dia amanhecia,era domingo, a cidade aos poucos acordava e os moradores começavam sair de suas casas. As ruas iam ficando movimentadas. As pessoas costumavam ira à missa nas manhãs de domingo.Em casa, Clarissa se preparava para sair com as amigas, iam tomar banho de rio, curtir o ultimo dia de férias, afinal,as tão sonhadas férias passaram tão rápido que nem teve tempo de ao rio.
  Era uma manhã ensolarada, assim, como as meninas imaginaram. O sol entrava pela vidraça da porta e se espalhava pelos cantos da sala onde as Macela, Ludmila, Maria, Ana Clara e Sofia, amigas de Clarissa, estavam a sua espera.  Sofia era uma linda morena, alta, de olhos puxados, boca pequena e lábios finos, cabelos compridos, dona de um sorriso largo e escancarado. Era a amiga mais chegada de Clarissa. As amigas costumavam dizer que quando Sofia sorria  dava pra ver toda  a sua alma. Era  com ela que Clarissa compartilhava todas as suas alegrias, sua tristezas e frustrações. Amigas desde muito meninas, uma sempre sabia o que a outra estava pensando ou sentindo só no olhar.Estavam todas animadas para curtirem o último dia, saíram a pé carregadas de sacolas e mochilas carregando no peito a felicidade própria da juventude. A caminho do riacho o grupo de meninas encontra-se  com João Paulo, Orlando e  Felipe, amigos de Macela, eles também estavam indo ao rio. Felipe e João Paulo tinham acabado de chegar a cidade. Felipe  veio, há quinze dias, com a família para morar na cidade.Ele era um rapaz esbelto, alto, loiro, forte do tipo surfista, tinha olhos engatinhados, ora verde, ora castanho. Tinha um jeito peculiar de lhe dar com mulheres. Era safo, sabia as manhas, em outras palavras, era um malandro especialista em roubar corações. Clarissa tinha percebido a arte de Felipe e já tinha ouvido falar alguma coisa sobre ele e suas conquistas, mas, mesmo assim seu coração teimava em ir contra a razão, volta e meia se flagrava olhando o garboso rapaz. 
O destino. Ah, o destino! Mais uma vez joga a sua rede em silêncio sem que as pessoas percebam. O destino é assim, ele tece as linhas de sua rede uma a uma e quando as pessoas menos esperam suas vidas estão envoltas numa trama na qual não  se pode livrar sem que antes haja uma luta incansável contra o tempo, contra a si mesmo, contra tudo e todos. Devia ser proibido que o destino atrapalhar a felicidade das pessoas, principalmente quando as pessoas ainda são jovens, época em que ainda acreditam que tudo é para sempre. Não sabe a juventude que, muitas vezes, o sempre dura segundos... Isso mesmo, a eternidade se cristaliza em segundos e como todo cristal que se preze, ao menor sinal de desmazelo, ele se rompe em pedaços, pedaços que jamais serão unidos outra vez... Por isso, talvez, mesmo sem saber, é característico da juventude viver intensamente, pois, tudo  que é intenso se cristaliza no véu da eternidade... Deixemos a eternidade para um outro momento, voltemos a falar sobre a ida dos jovens ao rio...
  Caminharam por alguns minutos  por uma trilha que dava ao rio que corta a cidade. Mal podiam esperar para desfrutar de toda beleza que aquele lindo lugar oferecia. Durante  o trajeto Felipe fitava os olhos em Clarissa e admirava silenciosamente sua beleza. Instinto infalível...Algo estava diferente... Ele nunca tinha visto alguém  possuir beleza tão genuína... Felipe apenas observava... Examinava cada gesto feito por Clarissa... Entre prolongadas e estridentes gargalhadas o grupo seguia em algazarra.

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