domingo, 8 de janeiro de 2012

Ausência



Você não sabe como a sua ausência me dói. Me fiz de forte, mas no fundo estou rasgada pela falta que você me faz. Nessa minha falsa fortaleza me pego olhando mais uma vez o telefone na esperança de ouvi-lo tocar. Um toque. Só o que quero é ouvir. Nada mais. Apenas ouvir um toque para ter  certeza que nesse momento você está pensando em mim, ter certeza que ainda sou importante para ti... Podia te ligar, mas, o orgulho, medo, receio,  sei lá o que me impede... Por um momento me afasto e finjo esquecer... No mesmo instante me pego pressionando o celular contra o peito... a emoção vence a razão mais uma vez... Por  um instante digito teu número... Cogito... Impulsivamente lanço o celular contra a cama... Por que você não me liga? Saio em busca de nada... Volto... Ligo... Desligo... Tento segurar o impulso que não é maior que a vontade de ouvir tua fala, no entanto, dentro de mim, eu sei que ouvir tua voz rouca e macia  fará as minhas armas caírem ao chão e indubitavelmente me entregaria aos delírios que tua voz freneticamente me oferece... Na verdade, quero me entregar, sim.... Sim, entregar-me a ti por inteira  mais uma vez... E outra vez... E mais, e mais, e mais vezes... Até extravasar em mim essa paixão.
           Ah!  Por que  esse telefone que não toca?!... Se  soubesse como te quero, como desejo ardentemente ouvir você dizer alô e então conversarmos por horas e horas, sem pressa... Falar bobagens... Rir de tuas piadas sem graça... Irritar-me com uma expressão mal entendida, fazer bico... Ficar em silêncio por alguns instantes... Silêncio... Só para ouvir você dizer meu nome várias vezes... Sei que você finge não perceber que meu silêncio é apenas charme... Charme de quem te quer por inteiro... Apenas uma maneira boba de tentar prender tua atenção... Quando você perde a paciência, irritado me pergunta se estou te ouvindo... Quebro o  silêncio murmurando baixinho: “te amo”. Você diz que tenho voz de menina... Menina, sim... Sou uma menina. Nos teus braços me torno tua menina. Depois da briga a  conversa vai aos poucos ficando gostosa, manhosa, as frases ficam cada vez mais ardentes. Um beijo... Apenas um beijo seu faz correr em mim um arrepio gosto. É, você sabe manipular  minha alma e meu corpo com maestria... Suas palavras me fazem nadar em um oceano de prazer  ... E um amor devasso se faz e desfaz dentro de mim, dentro de nós,  como em um mar revolto. Me deixo levar a crista da mais alta onda de teu corpo que se quebra em mim lentamente...
            Teu silêncio parece eterno... Percebo que já não te agrado mais, já não te excito como antes... Talvez você tenha me esquecido... Sinto saudades... Faço amor sozinha... Choro baixinho... De repente... O trim-trim do telefone...  – Alô?!... Silêncio...É você com sua voz rouca me desarmando, me fazendo sentir menina, me amando como mulher... – Preciso te ver com urgência. - Te amo!
Nosso amor começando outra vez...

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